terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ousadia. Essa é a palavra-chave - Por Gabriel Souza

Caso não haja ousadia, teremos séries dificuldades de contarmos com uma boa política pública de juventude e, como triste consequência, não conseguiremos impactar a vida real da juventude brasileira, que, lembrando, deve ser sempre o nosso maior objetivo.
Para conseguir atingir esse objetivo, qualquer programa pretendente a alcançar tal façanha deve, necessariamente, ser em larga escala. Afirmo isso porque é comum vermos ótimas experiências, belíssimos programas, que atingem um pequeno número de jovens e que, quando colocados em prática na escala necessária, se apresentam com equívocos de gestão muito grandes. É como se olhássemos uma fotografia 3×4 e a achássemos bela, mas quando ela fosse colocada num outdoor verificaríamos que ela possui muitas imperfeições.
Essa questão da escala dos programas de juventudeé central para desenvolvermos uma política pública resolutiva e vitoriosa. Perdoem meu pragmatismo, mas de que serve um programa que atinge algumas milhares de pessoas quando precisamos solucionar o problema de dezenas de milhões? Será que vale a pena o investimento de dinheiro público dessa forma? Me parece mais eficiente propor a criação de um programa ousado, eficiente e certeiro que vislumbre atingir vigorosos resultados e beneficiar um grande número de jovens.
Outro elemento que considero fundamental para o desenvolvimento da política de juventude é uma competente articulação com os entes federados, parlamentos, partidos políticos e movimentos sociais. Talvez esteja afirmando uma obviedade muito grande, pois a maioria das políticas públicas em grande escala de nível nacional constroem parcerias com esses atores, mas na Juventude isso é ainda mais importante.
Se ainda temos um longo caminho a percorrer até o ponto que desejamos chegar na constituição de uma rede institucional de juventude no Brasil e se estamos trabalhando para empoderar a pauta, essa articulação se torna extremamente necessária. Evidentemente, isso só será possível caso haja muita sensibilidade política, amplitude e pactuação desde a formulação dos programas e da política em geral até a sua devida execução na ponta. Quando a gestão de Juventude não percebe que sem uma construção plural, ampla e aberta da política ela estará fadada ao fracasso precoce, inevitavelmente assistiremos grandes fiascos.
Em síntese, o sectarismo, a truculência e o absolutismo não combinam com o sucesso das PPJs.
Por último, não considero o “romantismo” algo salutar na formulação de políticas públicas de qualquer área. Me refiro como “românticos” aqueles programas que são formulados em teorias não praticáveis na vida real, que acabam se tornando estorvos para os governos e com baixíssimo custo-benefício para a sociedade. Infelizmente, vez que outra aparecem programas de juventude “românticos” que prometem resultados que não conseguem entregar, nos afastando do grande objetivo de melhorar a vida dos jovens brasileiros.
Uma boa dose de pragmatismo não faz mal a ninguém na hora de formular as políticas públicas de juventude.

* Parte do artigo Considerações sobre a política pública de Juventude