terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O fim de um ciclo e o início de outro - Por Gabriel Souza

Não sou apenas eu que afirmo, mas também qualquer instituto de pesquisa de opinião pública: a população considera as políticas e programas já implementados como patrimônio dela, como algo que já foi incorporado ao seu bureau de serviços oferecidos pelo Estado.
Assim, por exemplo, quando se trava uma disputa eleitoral, os candidatos tendem a expor com mais ênfase suas realizações e benfeitorias realizadas num tempo próximo, recente. As demais ações que ocorreram em um tempo mais distante daquele, muito embora possam inclusive terem sido mais benéficas para a população, não geram tanto impacto quanto as mais recentes.
É por isso também que muitas correntes do campo progressista da política nacional estejam defendendo uma alteração no discurso comparativo entre os governos tucanos da década de 90 com os governos petistas de 2000 e o de agora. Isso porque, conforme o tempo passa, as lembrançasdas pessoas sobre as políticas daquele tempo se esmorecem e, na juventude então, elas mal foram vividas!
Ainda, o que se tem como forte lembrança – e isso sim ainda é vivo na memória – são as políticas do período imediatamente anterior, que criaram a atual conjuntura política. E aqui volto às PPJs.
Veja o seguinte: o governo Lula criou a Secretaria Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de Juventude e um programa carro-chefe da política, o PROJOVEM. Isso, todos sabemos, disparou um processo de ampliação virtuosa de organismos de juventude no país, além do tal boom do debate sobre o tema que mencionei no primeiro parágrafo desse texto.
A rigor, essas conquistas já estão incorporadas pelo meio político e pela população juvenil. Esse ciclo de PPJs encerrou-se, findou-se. E, registre-se, esse ciclo foi ótimo, vitorioso. Não é para menos que o Brasil virou referência internacional em política pública de juventude. Orgulhemo-nos!
Sim, mas e agora, vamos para onde? O que faremos de diferente, inovador, positivo, que façam as conquistas do ciclo anterior avançarem?
Por onde começamos?

* Parte do artigo Considerações sobre a política pública de Juventude