Matéria de O Estado de S. Paulo, de 27/01/2012, "Caixa quer ultrapassar Bradesco na concessão de crédito" soa estranho.
Segundo a reportagem, "A Caixa Econômica Federal tem planos audaciosos este ano(...)alcançar o terceiro lugar no concorrido mercado de crédito até o fim do ano, derrubando o gigante Bradesco do pódio (...)Para atingir o objetivo, pretende conceder até R$ 290 bilhões em novos empréstimos e financiamentos em 2012".
Uma coisa é o plano do governo de incentivar a economia com crédito, reduzir o spread bancário (diferença entre o custo do dinheiro captado pelo banco e o repassado ao cliente) ou impulsionar a economia, especialmente na habitação (Minha Casa, Minha Vida, num ano que exigirá, pela recessão européia (-0,5%), fraco crescimento americano (1,8%) e redução chinesa (6,5%), mais incremento do mercado interno de massas. Aliás, como lembra a reportagem, "Quando comparado ao crédito imobiliário tradicional, a vantagem do segmento popular é que, como as obras são subsidiadas pelo Tesouro Nacional, não é preciso esperar aumento da demanda para conceder crédito e iniciar obras. Tudo passa por decisão governamental". Ou o presidente da CEF Jorge Hereda: "É obra começando na veia. São projetos que começam na hora e já giram a economia".
Esse é o papel que a sociedade se acostumou a esperar de um banco público. E é o que o governo espera também, pois no Plano Mais Brasil (PPA 2012-2015), o objetivo é reduzir o peso do BNDES e da Caixa nos financiamentos, principalmente nos de longo prazo, ampliando a ação da iniciativa privada do sistema financeiro.
Por isso, nada explica que a Caixa tenha seguido "os concorrentes privados e até criou sistema de metas e premiação com prazos bem mais curtos".
E pelo que diz o jornal, "o reforço [que] é três vezes maior que o realizado em 2011, quando avançou R$ 25 bilhões (...)" que "vai aumentar o tamanho da carteira de crédito em 40% em 2012, mais que o dobro do mercado, que avançou 18,2% nos últimos 12 meses", não demandaria um comportamento de banco privado.
As metas são ótimas e pode ser que tudo não passe da família Mesquita querendo promover a discórdia envolvendo a Caixa.
A grande meta ambiciosa que o banco poderia ter já a cumpre muito bem: servir ao povo. Para isso sim, valeria a pena moldar o sistema financeiro como uma "campeã de mercados".
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
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