terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Idiossincrasias da economia

Duas notícias curiosas que a grande imprensa teve que dar porque incoerentes com suas apostas:
A primeira no Valor Econômico de 30/01/2012: "O aumento generalizado de preços no ano passado, e que quase resultou no estouro da meta de inflação perseguida pelo governo, gerou acréscimo de R$ 50 bilhões na arrecadação de tributos federais, segundo levantamento feito pelo Ministério da Fazenda (...) O ganho obtido com a inflação foi mais que suficiente para cobrir o gasto de R$ 47,5 bilhões com os investimentos realizados pelo governo federal em 2011".
Ou seja, a inflação tão alardeada como uma "inevitável" conseqüência do pleno emprego e do aumento histórico da renda cobriu os "maléficos" e incitadores inflacionários "investimentos".
Como assim Bial, então o Dragão ajudou a tão propalada responsabilidade fiscal? Acertadíssima a "meta de inflação" então que "quase estourou" segundo tendenciosos analistas?
A segunda no O Estado de S. Paulo de hoje: "Junto com a inflação, aumento da Selic no início do ano provocou salto de R$ 172,31 bilhões no valor da dívida, fechando o ano em R$ 1,87 trilhão".
Mas no mesmo jornal, na matéria "Focus antecipa para maio taxa Selic de um dígito" o remédio em boa hora: "O recado do Banco Central de que o juro básico cairá para patamares de um dígito já surte efeito. Na primeira semana após o aviso, o mercado financeiro antecipou em três meses, para maio, a previsão de fim dos cortes da taxa Selic. Há, ainda, uma corrente mais otimista que estima o término desse movimento em abril (...) Para março, segue a expectativa de corte da taxa em 0,5 ponto porcentual. Para abril."
Conclusão da leitura global é que o Brasil está com uma banda de inflação que otimiza a arrecadação e os investimentos públicos e já está no caminho de reduzir os serviços da dívida, o que acarretará mais possibilidades de investir ou ampliar a margem de economia para momentos mais auspiciosos, porém acima da média.
Sobre o agouro, no parágrafo seguinte da última notícia citada - "(...)no entanto, acabou o consenso de que o alívio nos juros seria de 0,25 ponto. Agora, há uma parcela dos economistas que prevê redução de 0,50 ponto e o fim do ciclo de corte", uma boa resposta vem do diretor do Departamento Monetário e Mercados de Capitais do FMI (!), José Viñals, segundo quem "Brasil está em forma para enfrentar crise e ter juros menores", pois acumula "350 bilhões de dólares em reservas internacionais, bancos líquidos e bem capitalizados". Nada, portanto, que justifique a retomada de dois dígitos na SELIC a partir de junho, a não ser a torcida dos apostadores do cassino financeiro.
Temos condições de gerar crédito, consumo e correspondência na produção e serviços, além do que o preço das commodities vai cair pela redução da demanda, dada a recessão européia.