Interessante o editorial de hoje "Visão do Correio :: Retórica já não basta a Obama", claro do Correio Braziliense, que começa com a questão a ser provavelmente levantada pelos eleitores estadunidenses: "O 'yes, we can' que o levou à Casa Branca será cobrado nas urnas. Perderá a disputa se o que sobrar for a pergunta: se podiam, por que não fizeram?"
A verdade é que tanto a O-Generation (jovens que votaram em massa no negro Democrata descedente de árabes africanos) quanto o mundo em sua parte mais democrática não tem mais porquê se esperançar de novo com Obama.
Enquanto usa o tradicional discurso do Estado da União, proferido no início da madrugada de ontem para atacar indiretamente seu virtual opositor Mitt Romney,denunciado por pagar pouco imposto, com riqueza pessoal de 200 milhões — ele por três vezes recuou (o Correio diz "teve de recuar") na reforma tributária, íncone de sua promessa de reduzir a injustiça fiscal no país, temendo enfrentar e se supostamente tornar refém da maioria republicana na Câmara.
Ocorre que, além do grande apoio que possuía entre os trabalhadores e os setores democrático-sociais da população, que poderia lhe ter encorajado, Obama já é refém não exatamente da maioria republicana, mas da ideologia desta: o não fechamento da Base de Guantánamo, os discursos memoráveis prometiam a paz, reformas dos organismos multilaterais, o fim do unilateralismo, o restabelecimento do respeito da nação perante o mundo por uma autêntica liderança global, por portar novas esperanças, não saíram do palanque. Como lembra o editorial, "prova disso é a prevalência da retórica da máquina de guerra (veja o caso do Irã)".
Por outro lado, nos lembra Fidel, em artigo publicado na imprensa oficial cubana em resposta às críticas da "comunidade internacional" após a morte do dissidente Wilman Villar Mendoza, classificou as primárias do Partido Republicano como a "maior competição de idiotices e ignorâncias que já escutei", porque quando questinados os pré-candidatos da oposição, em um debate na Flórida, sobre qual seria a atitude em relação à ilha se fossem eleitos, responderam coisas do tipo "medidas como fortalecimento do embargo, mais restrições para viagens e envio de remessas ao país e até engajamento em operações secretas contra o regime" (O Globo - 26/01/201).
Nada a esperar das eleições americanas, apenas sonhar com a viabilização da proposta do fundador do Ocuppy Wal Street, de criar um novo partido de esquerda. Ao Brasil cabe seguir apostando no fortalecimento da agenda com os BRICS como novo pólo geopolítico, assim como a integração simétrica e democrática da América do Sul e das articulações com os emergentes do G-20, para reduzir a força de ação de EUA e União Européia. O mundo não os suporta mais. E nisso a ação geracional dos jovens políticos e ativistas brasileiros de hoje podem jogar muito peso, mais do que sonham.
Quanto às mentiras denunciadas por Fidel a respeito da morte do opositor interno, é muito factível acreditar nele em vez de nos países da OCDE e das agências de vendas de notícias internacionais.
Para isso, voltemos ao Brasil, o mesmo jornal O Globo de hoje.
A chamada da reportagem de X, é "Brasil dá visto a blogueira cubana após obter sinalização de que regime permitirá viagem" e o próprio jornal diz: "Ao GLOBO, integrantes do governo confirmaram que o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, negociou nesta semana com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, a autorização para Yoani entrar no Brasil (...) Patriota argumentou que seria um gesto de boa vontade de Cuba permitir a viagem da blogueira ao Brasil, país amigo da ilha (...) Segundo esses interlocutores, o ministro recebeu sinalização positiva de que Havana permitirá a viagem da opositora".
No final, a rainha da credibilidade dos inimigos do regime cubano diz que "ao tomar conhecimento de que obtivera o visto, Yoani comemorou. "Já tenho o visto para o Brasil. Agora falta o mais difícil, a permissão de saída".
Ora ela e o jornal sabem que não falta o mais difícil.
A "má fé" de Yoani responde qualquer dúvida a respeito de sua ética e sobre este caso, iluminando outros de sua ficha, esta verdadeira e não falsa como a da presidenta do Brasil. Afinal, o grupo de comunicação dos Marinho diz na reportagem que " ela havia subido o tom contra Dilma, como mostrou o GLOBO na edição de ontem", dizendo "Vi foto de Dilma jovem sentada no banco dos acusados e julgada por homens com a cara tapada. Eu me sinto assim mesmo agora".
E quando ela foi julgada por mascarados, torturada, encarcerada e proibida de escrever em Cuba?
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
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