Por Allan Borges, Superintendente de Estado de Juventude, e Rodrigo Abel, chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos e Presidente do COJUERJ
O processo de criação e crescimento das Políticas de Juventude no Brasil baliza uma transição, em grande medida, da lógica da proteção social para a Emancipação.
A pergunta que fica é: Como gerar espaços de emancipação juvenil? Que espaços seriam esses?
Tradicionalmente, os espaços de juventude dialogam essencialmente com a formação para o mundo do trabalho ou oficinas de cultura, ou atividades esportivas, assemelhando-se em alguns aspectos a uma escola. Esse é o modelo da evasão, talvez, pelo fato de que tais espaços se realizam de forma exclusiva e fragmentada, com a disposição de “cardápios” isolados que pouco seduzem a juventude.
A pista era criar espaços integrais, que se transformariam num processo multidimensional, e passíveis de ser retroalimentados de tempo em tempo e de forma personalizada através das ações e atividades executadas no equipamento.
O desafio de pensar espaços de juventude de modo amplo, crítico e inovador mobilizou a Superintendência de Estado de Políticas Públicas para a Juventude – RJ criada em janeiro de 2007 a criar no ano de 2009 após a I Conferência Estadual de Juventude o primeiro Centro de Referência da Juventude - CRJ, localizado na comunidade do Aço em Vila Paciência/Sta. Cruz.
Atualmente em nove comunidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, os Centros de Referência da Juventude (CRJs), são dispositivos públicos, administrados pela Superintendência de Políticas Públicas para a Juventude, que tem como objetivo principal apresentar outros dispositivos relacionais para a juventude ao seu futuro, através da inclusão social de jovens de comunidades de baixa renda em situação de risco social e/ou pessoal, através de um método inclusivo, que valorize as especificidades e que pressuponha um espaço centrado na comunidade, livre de barreiras, emulador de criatividade, idéias, e, gestor de oportunidades sociais e econômicas para a juventude desses territórios.
O CRJ executa cursos, atividades esportivas e culturais com estratégias socioeducativas para agir na formação de valores e atitudes. Busca-se com isto, uma a alteração de perspectiva e a ruptura com condutas de risco social e individual. O CRJ também se coloca como facilitador no acesso aos serviços públicos e privados, e com a Escola em suas demandas e desafios.
O CRJ não tem a pretensão de substituir a escola regular e técnica, tampouco, “apenas ocupar um tempo livre dos jovens para que estes fujam do ócio e/ou da rua”. O dispositivo, objetiva, sobretudo, assumir um caráter mais amplo, que “guerreie” para a redução das desigualdades sociais e consolidação de direitos humanos e, mais a frente, tornar-se afetivamente a segunda casa do(a) jovem.
A construção desse momento propiciou que o CRJ, de fato, criasse nitidez com sua mobilização e participação juvenil. Assumindo-se também como um espaço de debates, concertações, diálogos, reuniões de jovens e da sociedade civil organizada integrando-se com tecido social em questão. A Participação juvenil coadunada com a execução finalística, propiciou novos canais de escuta direta com os/as jovens dinamizando e ampliando o debate.
Hoje o CRJ esta no cenário nacional e na agenda pública do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Traz consigo, um sentimento marcado por olhares de dentro e de fora da favela, e vivido entre as ambivalências produzidas pelas políticas de emancipação/transformação/direitos e os tirocínios da assistência.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
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