Desde a inauguração da política de juventude do primeiro governo Lula, houve uma intensificação veloz do debate sobre o tema no Brasil, envolvendo diversos atores, como acadêmicos, gestores ou simplesmente militantes da pauta.
Alguns consensos já foram consolidados. Desde o debate das “políticas de/para/com a juventude” até a disputa da “proteção” versus “emancipação” da juventude, passando pela questão da “transversalidade”, “bônus demográfico”, entre outros.
Isso é tão verdadeiro que dificilmente você lerá algo sobre o assunto que não aborde algum desses conceitos, o que é ótimo.
Portanto, avançamos bastante. Hoje temos uma base teórica – e isso é algo que a academia colaborou bastante – considerável para qualquer iniciante que se interesse em adquirir algum conhecimento sobre juventude e políticas públicas.
Sabemos também que a mobilidade social promovida no Brasil na última década catapultou os jovens como atores do desenvolvimento, pois, se estamos compondo considerável parte das (novas) classes consumidoras, somos motores de proa do crescimento brasileiro. Essa convicção já não é só nossa, militantes da temática, mas também do próprio mercado, que traça estratégias e mais estratégias de vendas visando atingir o imenso público jovem.
O bê-a-báda economia ensina que, com maior distribuição de renda e disponibilidade de crédito, haverá mais pessoas melhorando sua condição sócio-econômica, possibilitando a elas consumirem mais e, por consequência, demandarem mais do mercado, que por sua vez contratará mais pessoas, que terão mais renda, que consumirão mais, e assim por diante. Os reflexos desse sistema a longo prazo, é claro, pode ser danoso ao país se não tivermos outras políticas de desenvolvimento, tais como fortalecimento da indústria, controle da taxa de juros, do endividamento, etc. Mas, nesse ensaio, o que importa é que temos milhões de jovens ascendendo socialmente, ajudando a girar a roda da economia.
Tem se descoberto, pouco a pouco, que esses jovens são muito mais que apenas consumidores, mas também formadores de opinião em suas famílias, dado que é muito mais relevante. Chegou-se recentemente ao conceito de que esses jovens-formadores-de-opinião são os “jovens-pontes” e há uma importante pesquisa que identifica oito entre cada cem jovens com essas características.
Cá pra nós, isso é mais do que importante porque ajuda a derrotar a visão preponderante do jovem-alienado-problema e faz emergir a (correta) visão do jovem-informado-solução.
O jovem-informado-solução, ou “jovem-ponte”, é o estereótipo do cidadão que galgou graus relevantes de cidadania, está minimamente incluído socialmente e tem opinião crítica (talvez até bastante politizada) sobre vários temas importantes eatinentes não só a ele mas também ao mundo.
A parcela mais conservadora da sociedade olha com surpresa para esse fenômeno, impressionada com a capacidade de articulação dessa, digamos, “nova” juventude brasileira, que tem mais condições de construir sonhos e projetos de vida que as gerações passadas.
Mas, num rápido olhar panorâmico sobre as políticas públicas de Juventude no Brasil, notamos que ainda faltam preenchermos algumas lacunas, que talvez tenham surgido na esteira desses acontecimentos da década de 2000.
* Parte do artigo Considerações sobre a política pública de Juventude
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