sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Aviação e universidades

Outra boa discussão a partir da edição de ontem, 26/01/2012, do Valor Econômico, em matéria assinada por Daniel Rittner "RECEITAS DE CONCESSÕES VÃO ESTIMULAR AVIAÇÃO REGIONAL".
A informação central é que com "os recursos arrecadados com as concessões de aeroportos permitirão ao governo mais que triplicar os investimentos na infraestrutura da aviação regional". Serão 80 vôos/rotas a mais (subida de 129 para 209). E a idéia é regionalizá-los/as investindo R$ 650 milhões "para financiar aeroportos menores a partir de 2012".
Para fechar a conta, a estratégia adotada para impedir queda na qualidade dos aeroportos e quantidade dos serviços é que os dividendos das concessões serão pagos em parcelas anuais ao de 20 e 30 anos (período concessionário)para o fundo da aviação, evitando eventuais e hipotéticos contingenciamentos orçamentários.
Esse novo modelo, que amplia a rede, moderniza e profssionaliza a gestão dos aeroportos pode servir para uma outra área que precisa urgentemente sair de seu microcosmo corporativo: as universidades. Elas muito falam em democracia e sociedade, mas pouco fazem em sintonia com as necessidades do desenvolvimento econômico e social do país neste quadrante histórico, que é prioritariamente superar hiato em relação aos países desenvolvidos.
Precisamos alterar a relação entre universidade e empresa, financiamento da pesquisa e pesquisadores. A China, a Coréia do Sul, Japão se desenvolveram com um modelo de universidade com recursos para a pesquisa, mas com parceria com as empresas para favorecer o desenvolvimento tecnológico empresarial, a inovação. Por este paradigma, a universidade desenvolvia tecnologia, vendia e passava a ter de retorno um percentual de participação nas empresas, com os dividendos aplicados num fundo público de investimentos na pesquisa, de preferência com um planejamento democrático que priorize os gargalos do nosso desenvolvimento.
Isso também, com o aumento da renda, democratiza o acesso aos bens produzidos, sim, via mercado. O rendimento, em 2011, teve ganho real de 2,7%, chegando ao seu maior nível: R$1.625,46.
Quanto arrecadaríamos de investimentos públicos para a inovação, regionalizando, e o melhor, desvinculados dos ajustes fiscais com esse modelo?
O Plano Mais Brasil objetiva aumentar participação privada nos financiamentos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, construindo um Sistema Nacional de Inovação "baseado nas universidades, agentes financiadores e empresas, pautados pela desconcentração regional". Hoje, o investimento privado é de apenas 48% dos 1,2% que investimos do PIB neste setor. Em "pappers" o Brasil já é 2,5% da produção mundial, mas em registro de patentes apenas 0,1%. Não é o caso da máxima "pappers não viram patentes", mas trata-se, pelo menos, que vincular ao máximo uma coisa a outra.
Já ampliamos a infra-estrutura, democratizamos o acesso, aumentamos as vagas, ainda é necessário avançar na democracia, consolidando as eleições diretas paritárias, mas não podemos mais esperar nessa reforma de conteúdo.
Igualzinho à questão dos aeroportos.