Sem dúvida é um bom debate.
Melhor ainda quando se trata do PMDB: um acordo em eterno questionamento.
Considero que "estratégico" é o nosso - falo como petista - programa real, aquele tornado idéia e ação de governo.
Quem se dispuser a seguir com ele, sem alterar o que dele é essencial, dentro do pressuposto de que é verdadeiro aquilo que é praticado, que sagra-se vitorioso porque se impõe enquanto realização, são aliados efetivamente estratégicos.
Diferente deste debate no conteúdo, mas idêntico no mérito, é a antiga discussão das "direções revolucionárias".
O trotskista Ernest Mandel dizia sobre isso, com muita razão na minha opinião, que o caráter "revolucionário" de uma direção só pode ser medido no próprio processo revolucionário, para atestar, primeiro que se é de fato uma direção e, segundo, se é de fato "revolucionária".
Vejo o PMDB, por alto, percorrendo o período em que eram base de apoio da Era FHC, quando passam a base de sustentação do "lulismo" (que defino como uma corrente de massas voltada à conjugação de crescimento com justiça social, como método e conteúdo de desenvolvimento nacional e projeto sócio-político de civilização mundial), como um partido que, afora sua "formação social" interna, foi ganho para o projeto que, de facto implementamos hoje. E sejamos verdadeiros: não sabemos para onde exatamente este projeto nos levará, pois isto depende, e isso é muito real, dos rumos que a atual geração e a imediatamente anterior a ela, dará a ele. Isso dirá se o PMDB segue estratégico, portanto, dentro do conceito que prefiro trabalhar, ou não. Entretanto isso não dependerá apenas da nossa unilateralidade. O próprio PMDB poderá se desenvolver em sua composição social (porque esta, em última instância expressa a política) e seguir nosso aliado. E aqui, insiro uma perspectiva que levo muito a sério não apenas para o PMDB: podemos disputar geracionalmente nossos hoje aliados "táticos".
Façamos duas reflexões: o PC do B é nosso aliado estratégico? Alguns diriam "sim", porque defende o socialismo. Mas, peguemos o "programa máximo" do PC do B...Não defendemos aquilo em nossos documentos mais fundacionais. O PC do B é um aliado estratégico hoje porque defende para o Brasil o que nós estamos defendendo e implementando, com as diferenças pontuais normais, embora, dentro do PT haja tendências que do ponto de vista do "programa máximo" estejam mais próximos deles do que do PT, que expressa hegemonicamente as posições da CNB. E, por outro lado, no "programa mínimo", a CNB está mais próxima do PC do B do que de certas tendências do PT.
Ocorre que o "programa máximo" é uma abstração, é sempre o não realizado até que vire poder organizado, já que neste caso ele é socialista daquele clássico, dentro do espectro marxiano. Por isso gosto mais da idéia de "programa de transição", mas isso é outro debate.
A outra reflexao, voltando ao PMDB, é que o fundamental para definir, tanto nosso programa "estratégico" quanto, em consequência, nossos aliados, está na nossa capacidade de alterar a política por alterarmos a base material sobre a qual ela se eleva.
Não poderá surgir "outro" PMDB, mais próximos do que nós - dessa geração - pelo menos conforme nosso II Congresso da JPT projeta como continuidade do legado deixado pelos petistas que hoje governam e legislam, a partir de alterações consistentes da estrutura da nossa sociedade?
Por isso defendo uma ótima relação com a atual Juventude do PMDB, porque isso pode dar muito certo se realmente acreditamos nos conceitos que levantamos hoje quando falamos de projeto político/transição geracional.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
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